O que uma criança precisa?

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Vejo crianças nos parques, nos lugares aonde vou. Vejo crianças interagindo diretamente com a sociedade, com seus pais, com a natureza. Vejo crianças de uma geração inteligentíssima, cheias de informações, argumentos e capacidades. Mas, além disso, vejo crianças inocentes, com olhar doce, cheia de pureza e amor pela vida.

Diante disso, me pergunto como valorizar esses pedacinhos de vida que crescem dia após dia, mantendo acesa a energia, a luz e a preciosidade que eles nos passam? A resposta é clara: compreendendo o que as crianças precisam para a vida que se desenvolve a cada momento. Mas afinal, o que as crianças precisam?



LIBERDADE X LIMITE


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Inicio minha reflexão com uma palavra leve e que transmite paz, assim como as crianças, liberdade.

A criança precisa de liberdade para desvendar as maravilhas do mundo, as belezas da natureza, liberdade para construir sua bagagem de aprendizagem e conhecimentos, liberdade para interagir com tudo e todos, também para descobrir diferentes coisas por si próprias. Vocês devem estar se perguntando: Como assim uma criança livre? Criança precisa de limite!

Na liberdade está implícito o limite, pois possui o direito de escolher, mas é com a liberdade que a criança compreende que cada escolha tem consequência, por exemplo: “posso brincar na água, mas sei que vou me molhar” ou “posso jogar meu brinquedo, mas se eu jogar ele poderá quebrar, e se quebrar, eu ficarei sem ele”.

Criança precisa de orientação. É dever de o adulto mostrar que pode haver vários caminhos, mas cada escolha possui consequências, boas ou nem tanto. Com a liberdade e a orientação, a criança aprende a equilibrar os prós e os contras. Ainda, aprende a fazer escolhas, refletindo sobre pesos e medidas, e aprende a ser um adulto pensante e reflexivo.

Falando em limites: sim, a criança precisa de limites! Mas não o limite sufocante, amedrontador, mas o limite que permite que a faça pensar. O limite está em escolher entre duas opções ou no combinado saudável. Este é o limite que faz crescer, compreender as consequências, e entender um limite libertador e construtivo.



AMOR E ATENÇÃO


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Outro aspecto muito importante é que a criança precisa ser criança, sem ser superprotegida. A criança precisa andar de pés descalços, ter terra debaixo da unha e imaginação voando solta. Necessita cair de bicicleta, ralar o joelho e conhecer que, às vezes, um galo pode crescer na sua cabeça e primordialmente, quando isso acontecer, vai ter alguém por ela, vai ter alguém para colocar gelo e dar beijinhos no machucado. Ela precisa se proteção, e amparo, ela precisa de amor.

Amar não é superproteger, a superproteção sufoca, abafa e reprime. Já a proteção auxilia quando precisa e mostra que alguém está ali para lhe defender com unhas e dentes. A proteção gera segurança e a segurança é a certeza de que é amado, e que mesmo não estando perto em todos os momentos do dia, ela nunca, de forma alguma será abandonada.

Amor é liberdade! Fizemos os filhos para o mundo, e eles precisam estar preparados para isso.

A criança precisa ser respeitada na fase em que está, precisa ser respeitada quando fala uma palavra de forma errada, ou até mesmo, quando derruba um copo no chão. Ela apenas está tentando ser como nós, adultos, ela está aprendendo. Precisa ser olhada nos olhos, que conversem com ela e que lhe expliquem como pode fazer para que o copo não caia no chão, principalmente precisa ser ouvida.

Mas ela precisa também aprender que deve respeitar os outros, compreender que os pais não são objetos de obediência dos filhos e que são aqueles que vão estar ali em todos os momentos da sua vida. Porém, isso não dará às crianças o direito de chorar, berrar e bater os pés para ser atendida, precisam aprender a dialogar. As crianças precisam de atenção, mas também precisam aprender que quando não podem ter a atenção em que querem, precisam saber esperar, pois nem tudo acontece quando queremos.

Elas precisam, inevitavelmente, de muitas frustrações. Uma criança que sentiu frustração na infância será um adulto forte, resistente e preparado para enfrentar as nossas dificuldades da vida de frente, sem precisar se esconder atrás de drogas, bebidas e quaisquer outros tipos de máscaras.



BRINCADEIRAS


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Criança necessita brincar muito, mexer na água, molhar a roupa, pisar no barro, catar minhocas, sentir o cheiro das plantas, brincar com pauzinhos e folhas de árvores, catar aquelas coisas mais minúsculas e cheias de sentido que elas encontram pelo chão. Precisam ter menos brinquedos, de modo que, inventar novas brincadeiras seja uma necessidade. Precisam tomar banho de chuva, pular na poça da água e sorrir com tudo isso. Precisam sentir orgulho de si mesmo, sem precisar a aprovação do outro. Precisam subir, ficar pendurado na cerca com dificuldade para descer. Precisam criar a capacidade de resolver os problemas rapidamente, pensar em soluções imediatas. Parece loucura? Mas, assim como os seres vivos precisam de água para sobreviver, as crianças precisam aprender a conhecer.

Nós demonstramos quão grande, intenso e infinito é o amor pelo nosso filho fazendo o melhor por ele. E nem sempre fazer o melhor por ele é colocar ele na melhor escola da cidade e/ou dar as melhores condições de vida. Isso não basta! A melhor escola vai complementar o que eles estão trazendo de casa, pois a educação é única e exclusivamente dever da família, as melhores condições apenas facilitam, mas não completam. Porém o que realmente vai mostrar que estamos fazendo o melhor por eles, são as coisas simples e de suma importância no seu desenvolvimento, seja quando falamos “não” mesmo com coração apertado ou até os deixando aprender por si próprio, segurando a ansiedade de querer ajudá-los.

Por um futuro mais humano, gentil, feliz e saudável saliento que as crianças necessitam de menos brinquedos e mais potes de margarinas vazios, precisam desligar a televisão e aprender a arrumar a sua cama, dobrar suas roupas e secar a louça. Necessitam largar os celulares para aprender a contemplar as estrelas, brincar com a sua sombra no sol e até mesmo se divertir com algum animal.


Isso é vida, isso é autonomia.



Artigo por Carine Paniz Troian
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