Português no Brasil é Pretuguês




Dia 20 de novembro é o dia da consciência negra, criado para homenagear Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares que morreu neste dia em 1965 e ao mesmo tempo, nos lembrar das origens da formação do povo e das riquezas de nosso país. Você sabia que ainda existem quilombos? São mais de 3.000 comunidades quilombolas reconhecidas no Brasil.

A palavra quilombo é originária do idioma africano ‘quimbunco’, que significa: sociedade formada por jovens guerreiros que pertenciam a grupos étnicos desenraizados de suas comunidades. É nesse sentido que a palavra consciência ocupa este dia: pessoas que viviam suas vidas, em suas casas, em suas terras, com suas famílias, foram sequestradas, violentamente transportadas, violentamente forçadas a trabalhar em troca de uma sobrevivência mísera e quando alcançaram a libertação foram punidas, como se estivessem cometendo um crime ao alcançarem o status de seres humanos, foram despejados sem FGTS para sacar, sem roupa, sem comida, sem ter para onde ir, sem ter tido a chance de receber instrução, sem ter como voltar pra casa, sem ter pra quem pedir ajuda.

Tudo isso em uma época na qual era defendido branqueamento da população e para tal eram trazidos imigrantes europeus brancos, convidados a povoar, trabalhar e ocupar áreas de terras. Nossos queridos ancestrais caxienses, que sofreram muito construindo nossa bela cidade, mas, não tanto quanto aqueles que precisaram começar sem terras depois de sofrer extrema violência. Não podemos medir a dor, mas, podemos medir injustiça social e é fato que precisamos ampliar nossa consciência a respeito da responsabilidade ética que temos ao sentar sobre as riquezas constituídas a partir da morte, da violência, do sacrifício e do descaso com o povo preto, com o qual julgamos muitas vezes não ter qualquer relação de dever. Negando-lhes reparação histórica sob o mito da meritocracia, desconsiderando a crueldade e o pior: desconsiderando a força e a beleza dessa gente que fez do português do brasil um português especial, como diria Lélia Gonzales, um pretuguês.

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