Verde, a outra cor de setembro



Setembro traz consigo uma campanha de peso: o setembro amarelo. Mas essa não é a única cor do mês. Ele também é verde. No dia 21 de setembro é o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência. Em acordo, a Federação Nacional das Apaes e o Comitê Brasileiro de Organizações Representativas das Pessoas com Deficiência (CRPD) conceberam a campanha do setembro verde. Representando a esperança, a cor faz alusão ao sentimento que se tem para o futuro do Brasil e das pessoas com deficiência.

Maria Montessori, médica e educadora, direcionou suas pesquisas à educação a partir do seu trabalho psiquiátrico em institutos de atendimento infantil. As crianças atendidas nessas instituições haviam sido consideradas atípicas e, portanto, inapropriadas para o sistema tradicional de ensino.

Hoje, existem normas que regem a inclusão escolar e que prescrevem que crianças PCDs devem ser recebidas nas mesmas instituições que crianças não PCDs. As leis também regulam como devem ser as adaptações estruturais destes estabelecimentos, bem como a necessidade de acompanhamento por monitor e/ou diminuição do número de crianças nas turmas com PCDs. Apesar de nossa legislação ser abrangente, na prática podemos dizer que na maioria dos casos isso é tudo o que encontramos, e, geralmente, com pouca ou nenhuma qualificação.

Diminuir o número de alunos na turma, ter uma pessoa acompanhando a criança com deficiência, possuir rampas... Nada disso inclui por si só.

O mais fundamental é a condição humana diante de outros humanos. Se o monitor faz as atividades pela criança sem ajudá-la a aprender, se os colegas a rejeitam ou a agridem, se ela não tem uma prova adaptada, mas apenas resumida (sem antes ter tido uma aula especial, ou mais tempo de explicação ou atenção), se o professor não conhece e/ou interage com a família, se o atendimento psicossocial complementar é raro ou superficial, ou se não existe uma rede profissional se comunicando com a escola, a inclusão acaba por ser apenas um texto bonito.

É fato que somos todos diferentes, e a igualdade é ideal. É de direito. Na realidade, no viver de cada dia, somos singulares e complexos. Precisamos sair da ilusão de que pessoas que possuem deficiência são os únicos com diferenças; precisamos aceitá-los de fato, como humanos que são, que merecem respeito e satisfação.

A partir desse pensamento profundo podemos olhar para as suas necessidades com verdadeira empatia, e apoiar para que recebam a atenção que carecem, do jeito que precisam, com todo cuidado e atenção, para realizarem as conquistas que desejarem. Na área da educação, assim como em qualquer outra área humana, olhar para todos dessa forma é essencial.

Relatos de que alguma escola se recusa a aceitar crianças PCDs são preocupantes, inclusive com todos os alunos daquele local, visto que não deveria ser novidade a escola ter olhar cuidadoso e adaptar-se às necessidades das crianças.

Maria Montessori acrescentou que todas as crianças devem ser vistas como únicas e devem aprender do seu jeito, no seu tempo, com extremo respeito e apoio.

Não precisamos apenas elevar a estima dos PCDs, precisamos nos perceber como semelhantes. Todos nós temos necessidades e sofremos quando não podemos satisfazê-las, agora imagine se você não pudesse atender suas necessidades mínimas por conta própria... Comece a se colocar no lugar desse outro que é tão humano quanto você, e que está precisando de seu reconhecimento e apoio.

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